
A gente quer ir pra Ferros pra nadar no rio.
Na época da seca, o rio fica lindo. Deixa de ter aquela cor ocre do barro que busca em seu caminho e fica verde, transparente. E o que a gente logo vê e ouve é que o rio está “pele e osso”. O rio está “na capa”. Bom mesmo seria se houvesse mais água. Mas, cada ano: uma nova praia. Praia no meio do rio: ilha de areia.
Nós podemos olhar o rio Santo Antônio. Não é exercício difícil de ser feito, muito menos são difíceis as respostas que ele nos dá.
É visível o processo de agonia pelo qual ele vem passando ao longo dos anos. Sempre castigado por aqueles que pretendem mandar para bem longe, da maneira mais fácil, guiados pela lei do menor esforço, aquilo que não possui mais utilidade, como carcaças de bois e outros elementos nada orgânicos. Durante a seca, então, encontramos novas praias, enormes, ilhas de assoreamento. Podemos atravessar o rio, em certos pontos, a pé.
Escutamos dos mais velhos que o rio não tem mais a quantidade de água que tinha. Sendo assim, qual seria o período de ociosidade em uma PCH instalada no rio Santo Antônio, já que ele se apresenta, na maior parte do tempo, e em muitas partes de seu percurso, com uma quantidade de água mínima? Qual seria o impacto disso tudo em um rio que apresenta cada vez menos água? Além disso, o que seria alagado para que os reservatórios de água fossem formados? Que tipo de patrimônio está sendo ameaçado?
O filósofo Heráclito afirmava que “Para os que entrarem nos mesmos rios, outras e outras são as águas que por eles correm... Dispersam-se e... reúnem-se... juntas vêm e para longe fluem... aproximam-se e afastam-se”. Assim como não somos os mesmos da última vez que entramos no rio, a água desse rio também não é a mesma porque está cada vez mais poluída, mais assoreada e mais escassa.

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